sexta-feira, 5 de junho de 2015

HOMILIA NA MISSA DO 4º ANIVERSÁRIO SACERDOTAL – 03/06/2015


“Subirei ao altar do Senhor”.
“Vocação, lançar-se, entregar-se nos braços do Amor.”

Quanta alegria ao subir neste altar nessa data. Há três anos repito essa frase por que há quatro anos subia este altar para ser consagrado. Pelo sacerdócio ministerial vemos expressar de forma extremada o amor de Deus, e mais ainda, o valor que temos aos olhos de Deus isto por que cada vocação ao sacerdócio tem a sua história individual, relacionada com momentos bem precisos da vida de cada um. Quando chamava os Apóstolos, Cristo dizia a cada um: «Segue-Me!». Desde há dois mil anos que Ele continua a dirigir o mesmo convite a tantos homens, particularmente aos jovens. Às vezes chama de modo surpreendente, embora nunca se trate de um chamamento totalmente inesperado. Mas, habitualmente, o convite de Cristo a segui-l’O é preparado num longo período de tempo.
Na liturgia da Palavra de hoje vemos que Deus se revela a Jeremias e lhe dá a missão de destruir, arrancar e plantar a justiça divina. Jeremias objeta dizendo que não sabe falar. “Ah! Senhor Deus, eis que eu não sei falar, porque ainda sou uma criança”. E Deus mesmo lhe diz: “Não tenhas medo...”. “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações”.
O sacerdócio é uma vocação, particular: «Ninguém se atribua esta honra, senão o que for chamado por Deus». A Carta aos Hebreus refere-se ao sacerdócio do AT, mas para iniciar na compreensão do mistério de Cristo Sacerdote: «Cristo não Se atribuiu a glória de tornar-Se sumo sacerdote, mas recebeu-a d’Aquele que Lhe disse: (…) Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec». Por isso e muito mais, inimaginável aos nossos olhos, que esta data é para mim, motivo de muito júbilo e satisfação, além da ação de graças pelo meu 4º ano de vida sacerdotal, ter sido escolhido por Deus, também sempre mais na constatação de que a glória de Deus está inscrita na ordem da criação e da redenção; por isso o sacerdote é chamado a viver este mistério em toda a sua profundidade, para participar no grande officium laudis que incessantemente se realiza no universo. Só vivendo profundamente a verdade da redenção do mundo e do homem, é que ele poderá aproximar-se dos sofrimentos e problemas das pessoas e das famílias, e afrontar também a realidade do mal e do pecado, sem temor e com as energias espirituais necessárias para superá-la. Quanta graça da parte de Deus, que tudo isso nos confia.
Neste processo de chamamento não podemos nos esquecer que a iniciativa é sempre de Deus, é Ele quem chama, escolhe e envia, apesar de nossas limitações, de nossas fragilidades. Hoje canto, como canta Frei Rinaldo, “a alegria do chamado, Sacerdote para sempre quero ser, seu ministro, um amigo do seu lado, que apascenta, profetiza e faz viver...”. Não importa a que somos chamados, mas é preciso contar sempre com a graça de Deus e ter a plena consciência de que “este tesouro”, isto é, este ministério, esta tarefa, este serviço “o trazemos em vasos de barro”, isto para que, como nos diz São Paulo, este incomparável poder seja de Deus e não nosso”.
Assim, aproveitamos para dirigir uma palavra especial aos jovens e às jovens no sentido de recordar-lhes que é bela a vocação, o chamado ao Sacerdócio e à Vida Consagrada, recordar-lhes que ambos, são também formas concretas de realização pessoal; que a consagração total ao Senhor e ao seu Evangelho traz muita alegria, não sem incompreensões e, às vezes, perseguições, não muito diferente da vida matrimonial, mas foi Jesus mesmo quem nos garantiu: “Em verdade vos digo: todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida... e, no mundo futuro, vida eterna”. Assim, Jesus não nos engana, não nos garante uma vida fácil, sem dificuldades, sem tribulações e sem perseguições, mas nos garante: “No mundo tereis tribulação, mas tende coragem, eu venci o mundo” .
No famoso livro “Pequeno Príncipe” há uma frase que nessa ocasião muito nos fala: “Quando o mistério é muito grande a gente não ousa desobedecer” (Saint Éxupery). Assim é o ministério sacerdotal: resposta, entrega e acolhimento. Não que o mistério seja incompreensível, mas que é bonito demais para querer explicar com palavras. Basta obedecer e acolher a grandeza que nos é oferecida.
Já nesses 4 anos posso dizer: é muito bom e belo ser sacerdote, é esplêndida a vocação sacerdotal, mesmo sabendo que o nosso chamado se deu sem mérito algum de nossa parte. Sou feliz por ser sacerdote e, não sou mais por causa de minhas muitas limitações que me levam às vezes a fazer o que não quero, o que não desejo, o que detesto, contrariando Aquele que me chamou pelo nome e que me disse tu és meu (cf. Is 43,1). Nestes momentos sinto a mesma inquietação de São Paulo que disse: “não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero”.
Hoje, mais uma vez,  confirmo o meu “sim” a Deus que me chamou “pelo nome” e à Igreja que me escolheu para o Ministério Sacerdotal, me permitindo subir ao altar do Senhor, e a Ele oferecer meu louvor, aqui junto aos postulantes, meus formandos e a vocês filhos da Virgem Senhora do Rocio, em União da Vitória.
Concluo com alguns versos desta canção:
Subo ao altar de Deus que é a alegria da minha juventude
Subo silenciosamente
Com o coração alegre e cheio de temor
Pois sei onde o Senhor me levará...
 

Ouvi a Tua voz por isso estou aqui
Senti o Teu chamado então me decidi
E me lanço, me entrego nos braços do Teu amor
Pois nesse amor quero permanecer.

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